Brasil pode atrasar meta de saneamento universal em 30 anos

Publicado em 09/10/2019

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Esta é a manchete do jornal Folha de São Paulo de hoje (9) mostrando o preocupante quadro do saneamento no país.

Segundo a matéria, 35 milhões de brasileiros vivem sem acesso à rede de água e 100 milhões, quase a metade da população, não tem o acesso à coleta e tratamento de esgoto.

Muitos recorrem à água da chuva para encher baldes, pela falta de água, já que a chuva também invade os poços de muitas pessoas com lama. Nos trajetos, a lama onde não há saneamento causa doenças, e por aí vai a escala de sofrimentos dos que não têm acesso aos serviços básicos.

Os indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento mostram que o acesso à água tratada passou de 81,4% para 83,5%, em dez anos, e a coleta de esgoto de 40,9% para 52,4%, mas vem desacelerando desde 2013.

Esse triste quadro denota que é fundamental aumentar os investimentos no setor porque, se os valores permanecerem como estão o país levará mais 50 anos para ter 100% de acesso a esses serviços, de acordo com cálculos do Trata Brasil e CNI.

A matéria expõe ainda que o governo federal tem reduzido recursos para a infraestrutura.

“O investimento está caindo, e a necessidade é crescente. Precisamos de cerca de R$ 22 bilhões ao ano. Mas o Brasil investe metade disso”, diz o presidente do instituto Trata Brasil, Édison Carlos, em entrevista à Folha. “A história dos países que avançaram nessa direção mostra forte investimento público”.

“O saneamento em geral não é prioridade e não é tratado com lógica de Estado. É sempre uma questão política, não tem continuidade”, disse Roberval Tavares, presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

Vale ressaltar que Tavares esteve no seminário promovido pelo Sintaema semana passada e que justamente abordou os desafios da universalização do saneamento.

Enquanto este setor que tem total interface com saúde pública e desenvolvimento não receber do Estado a devida atenção e investimentos à altura, o problema continuará a crescer.

Por isso o Sintaema defende o saneamento público de qualidade, com fortes investimentos do Estado, porque água é vida, e não mercadoria.

Juntos na luta em busca da universalização do saneamento público de qualidade!

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