Por Nivaldo Santana*
O Sintaema completa 50 anos de uma história rica de grandes mobilizações e vitórias dos trabalhadores e das trabalhadoras da categoria. Faço aqui um resumo do período em que fui dirigente da entidade.
Ingressei na Sabesp em abril de 1978 e trabalhei no prédio da Rua Padre João Manuel, que abrigava a diretoria Financeira, onde eu desempenhava a função de Técnico de Serviços Administrativos.
Em 1985, entrei na diretoria Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação, Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto de São Paulo. O presidente era o saudoso Roberto Guerra Cavalcanti, economista lotado na Costa Carvalho.
Nos três anos dessa diretoria, o Sindicato da Purificação, como era conhecido, passou por várias mudanças. Assembleias massivas, mobilizações e as primeiras greves o tornaram um forte instrumento de luta dos trabalhadores.
A partir de 1988, assumi a presidência em uma ampla composição das lideranças. Nessa gestão e nas duas seguintes, pode-se dizer que a entidade atravessou uma profunda transformação que elevou a organização da categoria.
O sindicato mudou de sede, saiu do bairro de Pinheiros e foi para uma sede alugada, na Ponte Pequena, próxima das unidades da Sabesp que, à época, tinham quase 2 mil funcionários.
Neste período, o movimento sindical brasileiro estava no auge da mobilização. O nosso sindicato organizou greves marcantes, uma das quais com duração de sete dias, em abril de 1989. Naquele ano, inclusive, apoiamos a candidatura do Lula à Presidência da República no segundo turno.
Foi uma fase de grandes lutas e avanços na estruturação da base, com a conquista de delegados sindicais, essenciais para o fortalecimento sindical. Nesse meu segundo mandato, em abril de 1990, o destaque foi o 1º Congresso da categoria, com aprovação de mudanças democráticas no estatuto do sindicato – permitidas pela então recente Constituição de 1988. Assim, o nome da entidade passou a ser Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
Sindicato forte e enraizado, estatuto democrático, grandes mobilizações, estava chegando a hora de ter casa nova. Em agosto de 1993, inauguramos a atual sede, com a presença, entre outras lideranças, do Lula e do então senador Mário Covas.
Minha última eleição como presidente foi em novembro de 1993, em chapa única com mais de 12 mil votos de sindicalizados. A força e a representatividade do Sintaema ficaram consagradas em uma eleição com ampla participação e sem oposição.
Registro também que a liderança que conquistamos à frente do Sintaema foi a base fundamental que assegurou, em 1994, a minha eleição para deputado estadual pelo PCdoB e mais duas reeleições.
Com o exercício do mandato parlamentar, fui substituído na presidência pela Beth Tortolano, talentosa líder sindical da nossa categoria, companheira de luta com quem compartilhei toda essa vitoriosa trajetória no Sintaema.
*Secretário de Relações Internacionais da CTB, foi do Conselho Fiscal de 1985 a 1988 e, daquele ano até 1994, presidente do Sintaema, depois deputado estadual pelo PCdoB por três mandatos (1995 a 2007).
**Texto originalmente publicado na Revista Especial 50 ano do Sintaema.









