Por Olinda Rosa da Conceição*
Em meio às florestas, parques, unidades de conservação e territórios fundamentais para o equilíbrio ambiental de São Paulo, pulsa a força de uma categoria que, mesmo diante do abandono e do desmonte, segue firme em sua missão de proteger o que é de todos: a natureza, a água, a vida.
A Fundação Florestal é uma potência em políticas ambientais no estado de São Paulo — mas infelizmente isso não se deve a investimentos ou reconhecimento por parte dos sucessivos governos estaduais. Pelo contrário: a atuação dos trabalhadores e trabalhadoras da Fundação se dá em meio a um cenário de precarização, sucateamento, insegurança institucional e falta de valorização.
A história da Fundação Florestal se entrelaça com a do Sintaema. Ao longo das décadas, o sindicato se colocou como uma trincheira firme na defesa do meio ambiente e dos servidores que fazem esse trabalho acontecer. Em especial, temos lutado pelo fortalecimento da Fundação, enfrentando os ataques dos governos de direita e extrema direita que trataram — e ainda tratam — o meio ambiente com políticas cosméticas, superficiais, muitas vezes voltadas apenas à promoção de interesses privados.
Os governos tucanos e, mais recentemente, a gestão Tarcísio de Freitas, ampliaram o desmonte da Fundação Florestal. A precarização das condições de trabalho, a falta de concursos públicos, a instabilidade jurídica e administrativa, e a ausência de um plano de carreira digno mostram o descaso com quem cuida dos nossos recursos naturais. A valorização da categoria segue sendo ignorada, mesmo diante da complexidade e da importância das funções desempenhadas.
Somos nós, trabalhadores e trabalhadoras da Fundação Florestal, que garantimos a conservação ambiental, o manejo florestal, a recuperação de áreas degradadas, o monitoramento da biodiversidade, o ecoturismo sustentável, a educação ambiental, a proteção dos mananciais, a implementação de planos de manejo e a preservação de Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Nosso trabalho está em cada trilha segura, em cada mata preservada, em cada nascente viva.
Nada disso seria possível sem luta organizada. Foi através do Sintaema que a categoria conquistou reconhecimento, resistiu às ameaças e impediu retrocessos ainda maiores. E é com orgulho que faço parte dessa trajetória.
Desde que me sindicalizei, porque sempre acreditei que o sindicato é a voz coletiva da classe trabalhadora, vi no Sintaema um instrumento de ação coletiva e da organização sindical que tem a potência de fazer nossas pautas ecoarem, transformar indignação em mobilização e resistência em conquista.
Defender a Fundação Florestal é defender a vida. E o Sintaema está, há 50 anos, nessa missão com coragem, unidade e compromisso.
Seguiremos em frente, com a floresta no coração e a luta como caminho.
*Olinda Rosa da Conceição é trabalhadora da Fundação Florestal e diretora de base do Sintaema.
**Texto originalmente publicado na Revista Especial Sintaema 50 anos.










