Por Rene Vicente
Minha trajetória na Sabesp começou em junho de 1998, quando um amigo me avisou sobre um concurso público — conquista histórica fruto da luta do Sintaema. Após as etapas seletivas, fui aprovado e, já no primeiro dia de trabalho, me associei ao sindicato, ciente da importância da organização coletiva para a conquista de direitos. Entrei como eletricista de manutenção e fui designado para a recém-inaugurada ETE ABC, onde atuei na CIPA, participei das lutas locais e me tornei delegado sindical.
Logo enfrentei um grande embate: a greve contra o governo Covas, uma das maiores da categoria. Embora o acordo tenha sido derrubado no STF, em Brasília, o sindicato não recuou — manteve presença na base e seguiu organizando a luta pela reconstrução do ACT. Foi um período de muito aprendizado sobre resistência e unidade.
Em 2002, a convite do saudoso companheiro Apolinário, passei a integrar a diretoria do Sintaema. Em 2006, assumi o Departamento de Imprensa e, em 2009, a presidência do sindicato. Enfrentamos a ofensiva neoliberal e as mudanças administrativas que resultaram em demissões, mas seguimos firmes. Em 2015, uma importante vitória: o fim do salário regional, fruto de intensa mobilização. Também destaco com orgulho a reconstrução do Acordo Coletivo da Sabesp, desmontado nos anos 2000 — uma conquista que resgatou direitos históricos e provou que a luta vale a pena.
Estivemos presentes em diversas marchas em Brasília, em campanhas salariais, na luta pela valorização do salário mínimo e contra as reformas que retiram direitos. O Sintaema também teve atuação decisiva na defesa dos trabalhadores e trabalhadoras da CETESB e da Fundação Florestal, enfrentando a precarização, a terceirização e o desmonte das políticas ambientais. Com organização e luta, garantimos avanços nos acordos coletivos e reafirmamos o papel estratégico desses órgãos para o desenvolvimento sustentável do estado.
Mais do que um sindicato, o Sintaema sempre foi um instrumento de transformação social. Em tempos de privatizações, ataques aos serviços públicos e retrocessos, o sindicato se mantém como trincheira de resistência da classe trabalhadora. Essa trajetória de coragem, solidariedade e compromisso é o que celebramos nestes 50 anos — com o orgulho do que já construímos e a certeza de que ainda há muito a conquistar.
Parabenizo o Sintaema pelos seus 50 anos! Uma entidade que fez e continua fazendo a diferença na vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras do saneamento e do meio ambiente em São Paulo.
*Rene Vicente é trabalhador da Sabesp e foi presidente do Sintaema de 2009 a 2019.
**Texto originalmente publicado na Revista Especial 50 anos do Sintaema.











