Muitas pessoas imaginam que saneamento básico, um direito previsto na Constituição Federal e que em São Paulo é realizado por empresas como a Sabesp, consiste apenas no acesso à água tratada e coleta e tratamento de esgoto, mas ele engloba outros serviços.
Segundo o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), é o conjunto de serviços e infraestrutura de abastecimento de água, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, esgotamento sanitário e drenagem de águas pluviais urbanas.
Por que precisamos de saneamento básico?
Entre os benefícios do saneamento básico estão o desenvolvimento do país, cuidado com a saúde e o aumento da qualidade de vida das pessoas. Seu aperfeiçoamento e universalização promovem melhorias na saúde e a proteção da vida, sobretudo de crianças, com a diminuição da mortalidade infantil e a contenção de doenças, especialmente as de veiculação hídrica.
Além disso, há o desenvolvimento do turismo, da educação e a geração de novos empregos. Estudo divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) indica que com a universalização dos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento dos esgotos, o Brasil somaria um balanço positivo de R$ 1,1 trilhão, em benefícios gerados nos indicadores socioeconômicos.
Quais são as atividades do saneamento básico?
No nosso dia a dia, muitas vezes, não nos damos conta de como o saneamento básico está presente em nossas vidas. Algumas atividades já estão tão incorporadas em nosso cotidiano que não imaginamos mais nossa sociedade sem elas.
A água que chega à sua casa passa por processos de tratamento que a torna segura para ser utilizada para hidratação e higiene. Ela é captada em mananciais, passa por processos físicos e químicos e, então, é distribuída para as residências, indústrias e estabelecimentos comerciais.
Captação, tratamento e distribuição de água
Esse tratamento é realizado nas estações de tratamento de água (ETA) e é necessário para que a população não consuma água contaminada por sujeiras, vírus e bactérias, prevenindo a proliferação de doenças. Em muitas cidades, os serviços de saneamento básico são realizados em 8 etapas:
- captação: a água é captada de rios com impurezas, como areia, pedaços de plantas e bactérias;
- adução: a água é bombeada para as ETAs;
- coagulação: processo químico que favorece o agrupamento das impurezas da água;
- floculação: processo mecânico de agitação para que as impurezas formem partículas maiores e decantem;
- decantação: nessa etapa, os flocos formados anteriormente afundam, de forma que seja possível separar a água da sujeira;
- filtragem: a água passa por filtros de areia grossa, fina, cascalho, pedregulho e carvão;
- desinfecção: a água é desinfectada por cloro e recebe adição de flúor (em alguns casos);
- reservação: a água é armazenada em reservatórios, que distribuem-na para a população.
Coleta e tratamento de esgoto
A coleta e o tratamento de esgoto são serviços essenciais, não só para mantê-lo longe do contato com a população, como também para que o esgoto não polua os rios, lagos e oceanos, prejudicando os ecossistemas aquáticos e terrestres.
O esgoto é levado para as estações de tratamento de esgoto (ETE), que realizam uma série de procedimentos para tratá-lo e deixá-lo livre de resíduos sólidos e micro-organismos. Sendo assim, o efluente pode retornar à natureza despoluído e contribuir para a preservação do meio ambiente.
As ETEs são projetadas de acordo com o volume de esgoto que recebem e para garantir o tratamento, a grande maioria dos estados, realizam cinco etapas:
- gradeamento: utilizado para remoção de materiais grosseiros, como lixo, pedaços de plantas, pedras etc.;
- desarenação: nessa etapa, todos os detritos sólidos são retirados;
- tratamento biológico: etapa responsável pela digestão da matéria orgânica presente no esgoto;
- decantação: o lodo formado na etapa anterior é decantado e separado do líquido livre de impurezas;
- descarte: após tratamento adequado, o esgoto é devolvido ao meio ambiente.
Com informações da ANA