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Farra de Tarcísio com a Sabesp l Agência Pública revela uso político de quase R$ 3 bilhões

Reportagem da Agência Pública, assinada pelo jornalista Leandro Aguiar, escancara mais um capítulo do processo de privatização da Sabesp conduzido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo a investigação, o governo do Estado de São Paulo repassou quase R$ 3 bilhões a prefeituras por meio dos Fundos Municipais de Saneamento Básico (FMSB) logo após a conclusão da venda da companhia.

De acordo com documentos obtidos pela Pública e análises de especialistas, os repasses — equivalentes a cerca de cinco anos de arrecadação dos fundos — tiveram caráter claramente político. A maior parte dos recursos foi destinada justamente a municípios que demonstravam resistência à privatização, como São Paulo, Guarulhos, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, Osasco e Diadema.

Para o economista Hugo de Oliveira, ex-presidente da Arsesp, órgão regulador que fiscaliza a Sabesp, os adiantamentos funcionaram como uma moeda de troca para assegurar o apoio das prefeituras ao modelo de desestatização. “Fica claro que os fundos foram usados como incentivo financeiro para garantir a adesão dos municípios”, afirmou à Agência Pública.

Outro ponto grave destacado na reportagem é que esses valores serão pagos pelos consumidores, por meio da tarifa de água e esgoto. Mesmo após promessas do governo estadual de que a privatização não resultaria em aumentos, especialistas alertam que os impactos tarifários devem ser sentidos já nos próximos reajustes. Em 2025, a conta de água já registrou aumento de 6,11%.

A investigação também aponta falta de transparência no processo. Segundo Vicente Abreu, ex-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), não houve autorização regulatória prévia, nem consultas ou audiências públicas para justificar a antecipação dos recursos e sua incorporação às tarifas. Apenas em janeiro de 2026, um ano e meio depois dos repasses, a Arsesp publicou uma deliberação reconhecendo esses valores.

Além disso, o modelo adotado aprofunda desigualdades: municípios como São Paulo ficam com percentuais maiores dos fundos, enquanto todos os consumidores do estado pagam a conta, inclusive moradores de cidades pequenas e com menor capacidade financeira.

A reportagem da Agência Pública evidencia que a privatização da Sabesp não apenas ameaça o direito ao saneamento básico, como também foi utilizada como instrumento de barganha política, beneficiando interesses eleitorais e penalizando a população com tarifas mais altas e menos controle social.

O Sintaema reafirma sua luta contra a privatização da Sabesp, denuncia o governo Tarcísio pelo desmonte do saneamento público em São Paulo e segue mobilizado na defesa de um modelo público, transparente e comprometido com o direito à água e ao saneamento para toda a população — e não com os lucros de acionistas e acordos de bastidores.

Com informações da Agência A Pública