
Neste 25 de janeiro de 2026, completaram-se sete anos do rompimento da barragem da Vale S.A. em Brumadinho (MG), um dos maiores crimes socioambientais da história do país. Mesmo após quase uma década, milhares de famílias seguem sem reparação integral, convivendo com contaminação, insegurança, adoecimento e ausência de justiça.
De acordo com balanço divulgado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) – ver documento abaixo -, o acordo judicial firmado em 2021, sem a participação direta das pessoas atingidas, mostrou-se insuficiente e marcado por atrasos, falta de transparência e descumprimento de prazos. Apenas 38% da reparação socioambiental foi concluída, e a limpeza do Rio Paraopeba avança de forma extremamente lenta, com previsão de conclusão apenas para os próximos anos.
A situação da água é especialmente grave. Sete anos após o crime, diversas comunidades ainda dependem do fornecimento de água mineral, e a nova captação do Rio Paraopeba, que deveria garantir abastecimento para milhões de pessoas, segue com atraso de seis anos, colocando em risco o acesso à água potável de cerca de 5,7 milhões de habitantes.
Dados da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgados em novembro de 2025, confirmaram a contaminação da água, do solo, de peixes, animais silvestres e alimentos por metais pesados oriundos dos rejeitos da Vale. As pesquisas apontam risco à saúde, especialmente para crianças, gestantes e idosos, além de alertar para a inadequação do consumo de peixes nas áreas atingidas.
Outro dado alarmante diz respeito às indenizações. Segundo a própria Vale, cerca de 17 mil pessoas foram indenizadas até o momento. No entanto, estudos periciais indicam que o número de atingidos pode chegar a 350 mil pessoas, o que significa que apenas cerca de 5% dos atingidos receberam algum tipo de indenização individual. A maioria das famílias ainda aguarda decisões judiciais, sem qualquer previsão concreta de quando será reparada.
O balanço também denuncia a postura do governo de Minas Gerais e das instituições de Justiça, que, segundo o MAB, têm sido coniventes com os atrasos e descumprimentos da Vale, sem aplicação de sanções efetivas à mineradora. Além disso, o encerramento de programas de transferência de renda e as tentativas da empresa de suspender o Auxílio Emergencial aprofundaram a situação de vulnerabilidade das comunidades.
Para o Sintaema, o caso de Brumadinho é um símbolo da lógica de privatização, mercantilização da água, da vida e do meio ambiente, que coloca o lucro acima da saúde da população e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. O sindicato se soma às entidades e movimentos sociais na exigência de:
- Punição dos responsáveis pelo crime;
- Pagamento do Auxílio Emergencial até a plena reparação;
- Avanço real e transparente da reparação socioambiental;
- Garantia de indenizações justas a todas as pessoas atingidas;
- Participação efetiva das comunidades nos processos de decisão.
Sete anos depois, a luta por justiça, reparação integral e soberania popular segue mais atual do que nunca.
Confira carta publicada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens na qual apresenta um balanço crítico desses sete anos:







