
O Sintaema alerta que a atual gestão privada da Sabesp vem aprofundando uma política de “gestão da escassez”, que deixa milhares de moradores sem água, impõe mudanças forçadas na rotina das famílias e aprofunda as desigualdades no acesso a um direito básico: a água e o saneamento como direitos humanos, e não como mercadoria.
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Reportagem do Brasil de Fato revela a rotina de caos de moradores de diversas regiões da capital e da Região Metropolitana e mostra que a falta d’água tem se tornado parte do cotidiano, com cortes noturnos prolongados, redução de pressão e imprevisibilidade no retorno do abastecimento. Famílias são obrigadas a adaptar toda a sua rotina para garantir o mínimo, como cozinhar, tomar banho, escovar os dentes e dar descarga.
Especialistas apontam que o que está em curso não é apenas resultado da estiagem, mas uma política deliberada de redução da oferta, que atinge de forma mais dura as populações que vivem em áreas mais altas e periféricas, aprofundando a desigualdade territorial e social no acesso à água.
Privatização, mercantilização da água e ataque ao direito ao saneamento
Para o Sintaema, a situação é consequência direta do modelo imposto após a privatização, que transformou a água em mercadoria e passou a orientar a gestão pela lógica do corte de custos, maximização de lucros e redução de investimentos estruturais, em detrimento do direito da população e das condições de trabalho.
A chamada “gestão da escassez” escancara esse modelo: em vez de garantir planejamento, investimentos, ampliação da capacidade e segurança hídrica, a empresa opta por transferir o custo da crise para a população, impondo racionamento invisível, contas altas e insegurança no abastecimento.
Prejuízo para trabalhadores e para o conjunto da sociedade
O Sintaema denuncia que a precarização dos serviços e a lógica do lucro impactam diretamente a capacidade operacional da empresa. Serviços fragilizados, redução de investimentos e sucateamento estrutural significam mais falhas, menos eficiência e mais riscos para oa segurança no trabalho e o abastecimento da população.
“A lógica da mercantilização da água não protege os mananciais, não garante segurança hídrica e não assegura o acesso universal. Pelo contrário: aprofundam-se as desigualdades, penaliza-se quem mora nas periferias e se naturaliza a falta d’água como algo ‘normal'”, denuncia a direção do Sintaema.
Água não é mercadoria: é direito
O Sintaema reafirma sua luta histórica pela garantia do acesso universal ao saneamento básico, pela água como direito humano e contra a mercantilização desse bem essencial à vida.
A política de racionamento invisível, a redução da oferta e a priorização do lucro fazem parte do mesmo projeto: colocar o lucro acima da vida, da saúde e da dignidade do povo paulista.
O sindicato seguirá cobrando providências, denunciando irregularidades e mobilizando trabalhadores e a sociedade para defender saneamento de qualidade e o direito de todos e todas à água de qualidade.







