Conjuntura estadual

Publicado em 30/10/2013 00:00

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1- São Paulo: quase duas décadas nas mãos dos neoliberais
Há 19 anos o Estado de São Paulo patina no atraso em vários campos fundamentais para o desenvolvimento sadio, eficiente e sustentável de uma população: educação, moradia, saúde, transportes, saneamento.
Isto porque desde 1995, quando o PSDB passou a governar o Estado, todos os setores são negligenciados para dar prioridade à especulação, às privatizações, terceirizações e outras modalidades a serviço do “deus mercado”, que dita as regras do jogo capitalista em detrimento do social, do bem estar do povo.
Em nosso Estado habita a maior população do Brasil (41.252.160-Censo IBGE 2010), distribuída geograficamente em 249 mil km2. Com 645 municípios, São Paulo é responsável por mais de 31% do PIB (Produto Interno Bruto) do País.
Mas essa potência não tem sido governada à altura de seus números e de sua capacidade de crescimento e desenvolvimento. No governo tucano, os trabalhadores das estatais não são valorizados, ao contrário, sofrem duros golpes em seus direitos e conquistas, golpes estes que só não são fatais graças à luta organizada promovida pelos sindicatos com adesão e respaldo dos trabalhadores, que lutam e resistem aos ataques contínuos.
Não existe uma política salarial favorável, a política que impera é a de achatamento de salários, demissões e planos de carreira que mais adequadamente poderiam se chamar “plano de fim de carreira”, tamanho o engessamento e inércia em que se baseiam tais planos.
Como vampiros sedentos, o governo PSDB é insaciável em sugar o sangue dos trabalhadores através de seus órgãos fiéis, como o Codec e Comissão de Políticas salariais, que a cada comunicado vêm com receitas de como tirar gota a gota: não dar aumento real, não ampliar conquistas, cortar e congelar benefícios, aplicar plano de demissão voluntária, demitir aposentados, enfim, uma desvalorização execrável que ano após ano tenta minar as forças dos trabalhadores, que se dedicam com afinco às suas atribuições.
Este rolo compressor precisa ser detido, e somente com uma mudança de governo isso poderá acontecer. Os trabalhadores têm combatido os planos de desmonte do governo de forma exemplar, mas a luta tem sido muito árdua e desigual devido ao endurecimento cada vez maior do governo.

2- São Paulo, um Estado que pede socorro devido à ausência de políticas públicas
E se as políticas salariais não saem do rascunho mal feito deste governo, as políticas públicas são igualmente desprezadas: estatais sem o devido investimento, rios gritando por despoluição, como oTietê, que recebeu bilhões de reais mas continua morto no perímetro urbano, parques abandonados prestes a serem privatizados, trens lotados, pouquíssimos quilômetros de metrô, escolas em péssimas condições, com professores angustiados pela desvalorização de suas funções, policiais mal remunerados, saúde sucateada, violência crescente e assustadora e muitas outras mazelas acumuladas pela incompetência do governo PSDB.

3- A necessidade de mudança se faz urgente diante do cenário que vivemos em São Paulo, pois o caos está instalado. A violência vem crescendo a cada ano no Estado, e as estatísticas são reconhecidas pelo próprio governo.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, em todo o Estado de São Paulo, foram registrados 1.189 homicídios dolosos (com intenção de matar) no primeiro trimestre deste ano, com 403 casos apenas em março.
No ano passado, no mesmo período, aconteceram 1.078 homicídios dolosos. O número de vítimas de homicídios dolosos cresceu em todo o Estado. A guerra entre a polícia e as facções criminosas fez vítimas inocentes e toque de recolher.
E mostrando que é um fiasco na administração pública, o PSDB fez uma das ações mais desastrosas de seu governo, ao invadir a cracolândia sem oferecer uma verdadeira estrutura física e apoio psicológico para os usuários de drogas.
E enquanto a população carece e adoece, a dinheirama corre solta pelos propinodutos do governo, como vimos nos recentes escândalos envolvendo o tucanato no desvio de milhões nas licitações nas obras de trens e metrôs, e na própria Sabesp, quando as investigações do Ministério Público apontaram que empresários acusados de fraudar contratos com a Sanasa de Campinas citaram a Sabesp em conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça. Os contratos, encaminhados para o Tribunal de Contas do Estado, superavam R$ 3 milhões, de acordo com os noticiários.
O que se vê é a ausência do poder público, é o Estado mínimo, um governo que se esquiva o quanto pode de sua obrigação para entregar todo o patrimônio à iniciativa privada. É o governo que prefere investir mais em publicidade do que em políticas efetivas para a população.

4- Autoritarismo, outra marca do governo estadual
Nos últimos anos presenciamos um endurecimento ainda maior por parte do governo, com posturas cada vez mais truculentas diante das manifestações dos trabalhadores e dos movimentos sociais.
A polícia militar se fez presente nas campanhas salariais, desnecessariamente, visto que todos os atos e protestos foram pacíficos e muito justos. Também houve descaso e autoritarismo por parte da direção de algumas empresas, como se eles estivessem lidando com bandidos, e não com trabalhadores.
Esta ordem, vinda de cima, sabemos que é fruto de uma visão egoísta do governo estadual, que enxerga nas reivindicações dos trabalhadores um entrave para seus planos excludentes e capitalistas. A impressão que temos é a de que os trabalhadores são vistos pelo governo como um problema a ser sanado, obstáculos a serem derrubados para que seus planos possam se concretizar: terceirizar e privatizar até mesmo os serviços essenciais, os parques, e tudo o que estiver pela frente.
As manifestações nas ruas, a partir do Movimento Passe Livre, mostraram uma polícia que ora intervinha com agressão, ora se omitia, num nítido orquestramento de interesses políticos do governo estadual, que, usando de seu poder, manipulou as mídias conservadoras e tentou passar a imagem de que estava tudo sob controle.
Diante desse quadro, faz-se urgente a conscientização da população sobre a ineficácia do governo estadual para administrar um Estado como São Paulo. Os trabalhadores, com a experiência de luta que possuem, têm esta consciência da necessidade de mobilização e mudança.
É preciso lutar, ir às ruas, como a jornada de junho, que mostrou o quanto o povo unido tem poder de transformação. Que a união e a mobilização continuem fortalecidas e que a tão esperada mudança possa acontecer nas ruas e nas urnas.

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