Sabesp – Terceirizadas e o Coronavírus

Publicado em 30/03/2020 16:01

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Terceirizada da Sabesp usa vídeo para ameaçar funcionário doente que faltar

Este é o título de uma matéria publicada na Folha de São Paulo do último dia 27 que aponta ameaça de empresas terceirizadas da Sabesp em demitir leituristas que faltarem no serviço por receio de contágio do coronavírus, mesmo os que estão com atestados médicos. E mais: a empresa diz que ainda poderá pedir a contraprova desses atestados.

No caso, a ameaça é feita por meio de um vídeo apresentado aos trabalhadores da empresa GMF, e que outra empresa estaria usando o mesmo vídeo, a SCS Tecnologia Ambiental.

Em um dos trechos do vídeo, o gestor da empresa ameaça: “Quero dizer aos que não querem trabalhar. Se não quer trabalhar, a premissa é tua. Eu vou colocar alguém no seu lugar, ok? Simplesmente vou desligar você do quadro de funcionários”.

De acordo com a matéria, a Sabesp afirma não ter conhecimento do vídeo, que não compactua com esse procedimento e vai acionar a GMF imediatamente para averiguar os fatos e para que a terceirizada reveja a orientação conforme determinam as autoridades de saúde.

Quanto à contestação dos atestados de saúde, a matéria traz o entendimento do professor de direito trabalhista do Mackenzie, Ivandick Rodrigues: “Não é só falar que tem de voltar a trabalhar. Se o médico do trabalho não fizer o caminho da resolução, o funcionário pode acionar a Justiça, e o juiz avaliaria, junto a um terceiro médico, quem está com a razão. Mas não funciona neste tom [do vídeo]”.

Ainda que o setor seja o de serviços essenciais, não é desse jeito ameaçador que se resolvem os problemas. Isto é um absurdo, os leituristas estão amedrontados e com razão devido à exposição. Obviamente, os que apresentam os sintomas foram afastados. Ameaçar com um vídeo assim é, no mínimo, uma maneira inconsequente de lidar com a questão.

Vale frisar que o vídeo foi divulgado depois do pronunciamento irresponsável do presidente Bolsonaro, na semana passada, quando ele tentou diminuir a gravidade da disseminação do vírus, indo na contramão dos outros países, da OMS e do seu próprio ministério da saúde.

O Sintaema repudia este tipo de procedimento desumano e verificará junto à Sabesp se a empresa tomará providências, conforme disse na matéria.

Mais compreensão e dignidade com os trabalhadores dos serviços essenciais diante desta crise! Respeito à vida! Estamos juntos!

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