Metrô de SP: Greve denuncia privatização em favor do capital privado

Publicado em 18/01/2018 19:40

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“A privatização só interessa ao capital privado porque é um investimento sem risco, ou seja, ganha se tiver usuário mas se não tiver quem paga é o metrô. O pagamento ao capital privado é garantido, um lucro assegurado em contrato de acordo com o processo de licitação e é isso que estamos denunciando para a população e por isso a greve”, declarou ao Portal Vermelho, Wagner Fajardo, diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

Por Railídia Carvalho

Nesta quinta-feira (18) os trabalhadores do metrô da capital paulista realizaram paralisação considerada vitoriosa por Fajardo. De acordo com ele, mesmo diante da manipulação de notícias na grande mídia “parcela significativa da população apoiou o movimento”. Segundo ele, a adesão dos trabalhadores também foi grande. A greve foi motivada pela nova licitação para privatização das linhas 5 e 17 do metrô que será divulgada nesta sexta-feira (19).

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) entrou com uma Ação Popular pedindo a suspensão do leilão desta sexta-feira. “Quem vai ganhar é quem preparou o processo de licitação”, disse. Na opinião do parlamentar, a greve dos trabalhadores do metrô de São Paulo é em defesa do direito da população ter um transporte eficiente e com tarifa justa. “Se privatizar aumenta o risco na operação  do metrô, aumenta o risco de preços exorbitantes, ou seja, a privatização do metrô é contra o povo trabalhador”, declarou o deputado.

Linha Amarela (privatizada), a campeã em falhas no metrô

Fajardo confirma a declaração de Orlando Silva. “É um processo viciado, direcionado e acima de tudo um processo que vai reduzir a qualidade do serviço prestado à população”. Ele citou a linha 4 amarela, que é privatizada, como um exemplo de que o interesse da maioria da população não é o interesse da empresa privada, que só tem o lucro como objetivo.

“A linha 4, embora pareça moderna, é a linha que mais apresenta falhas (lentidão, interrupção dos serviços) se comparada a todas as outras. Constantemente deixa de prestar serviço no final de semana porque cai o número de usuários no final de semana. Para não ter que fazer manutenção prolongada eles fazem no final de semana, fechando a linha e prejudicando a população”, exemplificou Fajardo.

O dirigente também lembrou que a concessionária ganha um valor a mais do que a tarifa paga pelo usuário. O recurso que vem da tarifa paga pelo usuário da linha 4 é recolhido pelo metrô e repassado para quem tem a concessão da linha privatizada. ”Quando o usuário pagava R$ 3,80 reais até 7 de janeiro, a CCR recebia R$ 4,02 e agora, com o aumento, a CCR vai ter um novo aumento, garantido em contrato, que deve ser de R$ 4,30 ou 4,30”.

Cartas marcadas

A CRR é a empresa que está no centro da denúncia do sindicato quando põe em xeque a lisura do processo de licitação. Para a entidade que representa os metroviários a licitação é um jogo de cartas marcadas que estabelece regras que favorecem a CCR. Fajardo lembrou ainda que os estudos de viabilidade da concessão foram feitos pela CCR, que recebeu R$ 800 mil reais pelo trabalho. A odebrechet também participou da elaboração dos estudos recebendo R$ 200 mil reais.

O sindicalista ironizou o interesse da CCR, que é uma das empresas que concorre na licitação para a privatização das linhas 5 e 17. “É obvio que eles fizeram isso, claro, de forma completamente idônea. Eles fizeram o estudo e estão participando por acaso do processo de licitação e eles tem capacidade técnica para participar porque o desenho foi ajudado por eles”, afirmou perplexo Fajardo.

Ele desqualifica também a afirmação do governo do Estado de que a operação comercial não é privatização. “É uma concessão por 20 anos e elas, as concessionárias, podem explorar todo o potencial lucrativo das estações, podem instalar lojinhas, instalar o que quiserem e vão garantir durante esses 20 ou trinta anos todo o processo lucrativo das estações”. De acordo com o dirigente, o resultado é que enquanto o usuário recebe um mal serviço com altas tarifas, disfarçado de moderno, a autonomia é do capital privado.

Confira a declaração em vídeo do deputado Orlando Silva contra a privatização do metrô:

Fonte: Portal Vermelho

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