O governo do Estado e a nova gestão privada da Sabesp têm tentado vender à população a ideia de que a privatização foi um sucesso, usando como vitrine números de lucros elevados, ampliação de investimentos e antecipação de metas. Mas, para quem trabalha na empresa e para quem depende do serviço no dia a dia, a realidade é bem diferente — e muito mais dura.
O discurso oficial de que a Sabesp “mais do que dobrou os investimentos” após a privatização funciona como uma cortina de fumaça para mascarar um processo profundo de desmonte do serviço, com demissões, precarização das condições de trabalho, terceirizações e aumento da insegurança operacional. Tudo isso impacta diretamente a qualidade do serviço prestado à população.
Enquanto o governo e acionistas comemoram balanços financeiros e anunciam obras, milhares seguem enfrentando falta d’água, tarifas abusivas, interrupções constantes no abastecimento e atendimento cada vez mais precário. A conta chega todos os meses, mas a água não chega na torneira de muitas famílias, especialmente nas periferias e regiões mais vulneráveis do estado.
Além disso, o modelo privatizado impõe uma lógica clara: investir para ampliar mercado e garantir retorno aos acionistas, ao mesmo tempo em que se reduz custos com trabalhadores e trabalhadoras. O resultado são equipes enxutas, sobrecarregadas, perda de conhecimento técnico acumulado e riscos crescentes à operação do sistema de saneamento.
Outro ponto que o governo tenta suavizar é o aumento das tarifas. Mesmo com a criação de fundos “mitigadores”, a própria direção da Sabesp admite que os reajustes virão. Ou seja: a população vai pagar mais caro por um serviço que, na prática, não melhora e, em muitos casos, piora.
O Sintaema alerta: universalização do saneamento não se faz com propaganda, nem com números desconectados da realidade vivida pelo povo e pela categoria. Água e saneamento são direitos, não mercadorias. Não podem estar subordinados à lógica do lucro.
Seguiremos denunciando esse modelo, defendendo o saneamento público, os trabalhadores e trabalhadoras da Sabesp e o direito da população paulista a água de qualidade, com serviço contínuo, acessível e sob controle público.








