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Caieiras e Rio de Janeiro: o mesmo desastre da privatização do saneamento

A população de Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo, sofreu um verdadeiro choque de tarifas após a troca de hidrômetros determinada pela Sabesp privatizada — com muitas contas saltando de cerca de R$ 70 para R$ 600 de um mês para o outro. Essa explosão de valores não é um “acidente” ou um erro técnico: é o resultado da aplicação de um modelo privatista que transfere o custo para o bolso do povo.

E o que acontece em Caieiras não é caso isolado. O mesmo padrão se repete no Rio de Janeiro, onde a privatização do saneamento — com a concessão da antiga CEDAE às empresas privadas, incluindo a Águas do Rio — gerou uma verdadeira tormenta para milhões de moradores.

Veja o que aconteceu no Rio!

O Sintaema há anos denuncia contas abusivas e inexplicáveis, com consumidores que antes pagavam em torno de R$ 187 vindo a pagar R$ 300, R$ 600 ou mais, sem justificativa técnica clara — simplesmente porque o modelo de cálculo foi alterado sob gestão privada.

Dados do Procon-RJ mostram que as contas subiram em média de R$ 80 para R$ 789 em poucos meses, mesmo com consumo estável, sem que a concessionária conseguisse dar uma explicação plausível ao usuário.

Em casos extremos, famílias e condomínios enfrentaram faturas na casa das dezenas de milhares de reais (que variam de R$ 5 mil a R$ 20 mil) incompatíveis com seu consumo real — como comprovam registros de cobranças absurdas após troca de hidrômetros.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o Ministério Público e a agência reguladora tiveram de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta justamente para impedir cobranças abusivas nas contas de água quando há troca de hidrômetros, diante do volume de reclamações recebidas da população.

Esse cenário evidencia que não basta apenas falar em reajuste tarifário; o sistema inteiro passou a operar priorizando lucro sobre direito à água digna e acessível, penalizando os mais pobres.

O que esses dois casos têm em comum?

Tanto em Caieiras quanto no Rio de Janeiro, o problema não nasceu do consumo da população, mas da lógica privatista aplicada ao saneamento básico:

A Sabesp em São Paulo foi entregue a grupos privados em nome da “eficiência”.

No Rio, a mesma coisa ocorreu com a CEDAE — e desde então a tarifa disparou e as reclamações aumentaram.

Em ambos os casos, empresas estão transformando um direito humano universal em negócio lucrativo, repassando custos e prejuízos para as famílias trabalhadoras.

Mentiras e impactos reais

O governador Tarcísio de Freitas prometeu que a privatização traria tarifas justas e serviços melhores. A verdade é outra: o povo em São Paulo e no Rio está pagando muito mais por algo que deveria ser um direito garantido.

Quem lucra com isso?

Os grandes investidores e especuladores da Faria Lima e mercados financeiros, que apostam no lucro da água como se fosse mercadoria.

As concessionárias, que veem nos reajustes e métodos tarifários uma fonte de ganho acima de qualquer preocupação social.

Enquanto isso, a população paga:

  • Contas que explodiram sem explicação;
  • Tarifas que crescem mais que inflação e renda;
  • Violação do direito constitucional ao acesso à água e saneamento.

O Sintaema segue em luta para denunciar a privatização do saneamento e como o povo está sendo penalizado com isso.

A água não é mercadoria — é direito humano básico, fundamental para a vida.