
A Sabesp anunciou o início da substituição de 4,4 milhões de hidrômetros na capital paulista e em São José dos Campos por equipamentos digitais conectados à internet. O investimento previsto é de R$ 3,8 bilhões, em parceria com a Vivo, e integra as metas estabelecidas no contrato de privatização da companhia.
O que a Sabesp diz: será mais “eficiência”, “modernização” e “combate às perdas”. O que a Sabesp não diz: o que acontecerá com os trabalhadores e trabalhadoras que hoje realizam a leitura dos hidrômetros?
Tecnologia não é o problema. O problema é a lógica da privatização.
O Sintaema reafirma: não somos contra a inovação tecnológica. A automação e a digitalização podem, sim, melhorar processos, reduzir desperdícios e qualificar os serviços prestados à população.
O que não aceitaremos é que a tecnologia seja utilizada como instrumento para ampliar demissões, precarizar o trabalho e aumentar ainda mais os lucros privados às custas dos trabalhadores e do povo paulista.
Na prática, a própria Sabesp admite que o novo sistema elimina a necessidade de leituristas e acaba com a cobrança por média de consumo. No entanto, não apresentou até o momento qualquer plano público de realocação, requalificação ou garantia de emprego para esses profissionais.
Eficiência para quem?
A implementação dos hidrômetros inteligentes ocorre em meio ao processo de privatização da empresa e centenas de dimessôes. O investimento bilionário será pago pela estrutura tarifária da companhia — ou seja, pela população — enquanto o resultado esperado é a ampliação da rentabilidade para os acionistas.
A lógica é clara: reduzir custos operacionais, diminuir o quadro de trabalhadores e aumentar margens de lucro.
O discurso da eficiência esconde uma escolha política: substituir postos de trabalho sem transparência sobre o destino desses trabalhadores.
A modernização de uma empresa pública ou privatizada não pode significar exclusão social. Tecnologia precisa estar a serviço da sociedade e dos trabalhadores, não apenas da lógica do lucro.
O Sintaema seguirá atento, mobilizado e em defesa do emprego, dos direitos e de um saneamento que priorize as pessoas — não o mercado.







