Tensão na Juréia

Publicado em 08/10/2007 00:00

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Um clima de apreensão é o que caracteriza o dia-a-dia dos Guarda-Parques na mais nova base de fiscalização da Juréia: a Base Barra Funda – Fazenda Edo Malman, município de Miracatu. A Fazenda pertence ao Estado desde 1991 sem, no entanto, ter sido devidamente ocupada. O proprietário, ao deixar o local, não indenizou seus trabalhadores que, sem alternativas, continuaram vivendo lá. São, hoje, 20 famílias, sendo que algumas adquiriram as casas desses antigos trabalhadores da fazenda sem saber que era área do Estado. Em agosto, uma grande operação envolvendo a Polícia Ambiental, os Guarda-Parques da Fundação Florestal, Instituto Florestal e o Ministério do Trabalho detectaram diversas irregularidades na região, entre elas: trabalho sem registro, desmatamento ilegal e plantio de banana em área de preservação. A Secretaria de Meio Ambiente resolveu, então, instalar a Base de Fiscalização e para isso apossou-se da casa de um dos moradores. A população local está revoltada e vê nos agentes fiscalizadores inimigos, que lá estão para despejá-los de suas residências. As ameaças são veladas, porém muito representativas, dado o estado de espírito reinante. E é neste contexto que quatro trabalhadores da Fundação Florestal se revezam semanalmente na manutenção da base, auxiliados por policiais ambientais. Criaram um furacão e jogaram a gente no olho dele afirma um dos trabalhadores. Para piorar a situação, a base, que fica a 16 quilômetros da cidade, está absolutamente incomunicável: não conseguiram instalar o rádio, não há sinal para celular e nem linha telefônica. Além do mais, a Polícia Ambiental permanece somente durante o dia, a casa tem rachaduras, o madeiramento do telhado está apodrecido, a fiação elétrica é precária, o banheiro é fora da casa, a fossa está a céu aberto e os pernilongos infestam o local, além do quê, existe perigo de contaminação da água por agrotóxico (ou outro meio), pois ela vêm de uma gruta distante 3 quilômetros da base. É uma situação insustentável e o Sintaema estará apresentando o problema na Delegacia Regional do Trabalho nos próximos dias, exigindo a solução imediata. E não adianta a empresa dizer que vai terceirizar porque mesmo nesse caso as irregularidades deverão ser sanadas.

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