Rio-20

Publicado em 02/07/2012 00:00

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Uma delegação do Sintaema participou das atividades da Rio+20, evento que discutiu temas para a sustentabilidade do planeta. Na avaliação do sindicato, o texto final é evasivo em relação a alguns assuntos fundamentais para um futuro sustentável.

A conferência das nações unidas sobre o desenvolvimento
sustentável, a Rio+20, realizada no Rio de Janeiro de 13 a 22 de
junho de 2012, que contou com a presença de 188 países-membros
da ONU (Organização das Nações Unidas) e respectivas delegações,
pouco mais de 100 líderes e/ou chefes de estado, mais de 45 mil, 12
mil delegados, mais de 4 mil jornalistas, foi encerrada como a maior
conferência já realizada pela ONU.

Denominado “O futuro que queremos”, após dez dias de
discussões, o texto final não apresentou avanços significativos em
questões cruciais como a criação de financiamento através de um
fundo global de U$ 30 bilhões para o desenvolvimento sustentável,
sugerida pelos países em desenvolvimento (G-77 mais a China),
que foi rejeitada pelos Estados Unidos e os 27 membros da União
Européia (UE), adiando todos os temas polêmicos e sem consenso
para uma próxima cúpula. Também não define prazos para a
adoção de medidas e nem exigências claras sobre responsabilidades
específicas, além da ampliação de poderes e desvinculação da ONU
do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente),
e não define metas factíveis de desenvolvimento sustentável para
substituir as Metas do Milênio que expiram em 2015.

Apesar do esforço diplomático para redigir um documento para
ser assinado por quase duzentos países, buscando contemplar os
mais diversos interesses, o que vimos não passa de muita pirotecnia
e pouco efeito ou ações práticas, pragmatismo por parte dos chefes
de estado que, com discursos acanhados, tímidos e totalmente
desencorajados, denota a falta de comprometimento das autoridades,
que pouco se importam com o planeta que deixaremos para nossos
filhos e netos, as gerações futuras.

A Presidenta Dilma Rousseff criticou a retirada da proposta de
criação do fundo global de U$ 30 bilhões para financiar a transição
dos países para uma economia verde e a transferência das indústrias
poluentes do norte para o sul do mundo, que deixou uma conta pesada
socioambiental para o mundo em desenvolvimento. A Presidenta
também defendeu o princípio de responsabilidades comuns, porém
diferenciados entre países ricos e em desenvolvimento e a erradicação
da pobreza como o maior desafio global que o planeta enfrenta.
A Rio+20 deveria ter sido sobre a vida, sobre o futuro que
realmente queremos para nossos filhos e netos, sobre as florestas,
rios e lagos, oceanos, dos quais dependemos para a própria
sobrevivência e manutenção da vida no planeta.

O maior problema é que os chefes de estado se mobilizam muito
rapidamente para angariar vultosos fundos para socorrer instituições
financeiras que entram constantemente em colapso, crises cíclicas do
sistema capitalista, que eles mesmos são os responsáveis. Na atual
crise econômica mundial, recusam-se a criar fundos para mitigação
e recuperação da degradação ambiental causada pelo modo de
produção capitalista, que com a busca insana pelo lucro doa a quem
doer, cria imensos passivos socioambientais.

Num mundo globalizado capitalista e excludente, onde temos
cerca de 800 milhões de pessoas sem acesso à água potável, 1,4
bilhões sem acesso à eletricidade e 1,02 bilhões de pessoas passam
fome ou estão subnutridas, faz-se necessário e urgente que tenhamos mudanças radicais no intuito de obter
soluções para tão grave crise econômica e
socioambiental com a qual convivemos nos
tempos modernos.

É preciso mudar o modelo energético
com tecnologias limpas e menores impactos
ambientais, fazer reforma agrária com
expropriação de terras improdutivas e/ou
com trabalho escravo, soberania alimentar,
investir em saneamento básico e infra
estrutura, distribuição de renda , educação,
saúde pública, acesso à moradia, transporte
público, por uma agricultura orgânica sem
monoculturas ou transgênicos e fim deste
modelo agro exportador de comodities com
uso de venenos e pesticidas causadores
de inúmeras doenças como o câncer,
desmatamento zero, investimentos em ciência
e tecnologia, valorização do trabalho, uso
sustentável das riquezas naturais para o povo,
não para os grandes grupos empresariais
transnacionais, soberania dos países e
respeito às suas culturas e diferenças, entre
tantas outras necessidades básicas universais.
Para que tenhamos um desenvolvimento
com sustentabilidade socioambiental e
valorização do trabalho é preciso superar o
capitalismo!

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