Tragédia em Mariana – A onda de lama do capital fazendo mais vítimas

Publicado em 02/12/2015 16:29

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A tragédia que em 5 de novembro destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, região central de Minas Gerais, devido ao rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco e que resultou em 12 mortes, 11 pessoas ainda desaparecidas e toda uma população desabrigada mostra a irresponsabilidade da mineradora e do poder público em sua obrigação de fiscalizar empresas com potencial de acidentes ambientais

bento

O rio Doce foi totalmente contaminado pela enxurrada de lama com resíduos considerados tóxicos por ambientalistas matando toneladas de peixes e contaminando a água do rio que abastece vários municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo, prejudicando populações em uma tragédia histórica.

A Samarco, que divide suas ações com a Vale e com a australiana BHP Billiton, foi de uma irresponsabilidade sem tamanho. Mais uma vez a lógica do “deus mercado” prevaleceu sobre vidas, a busca pelo lucro em detrimento da vida de trabalhadores de cidadãos é insana, e o resultado não poderia ser mais catastrófico: um distrito inteiro embaixo da lama e a morte um rio saudável e de suma importância para a fauna, flora e abastecimento de água.

Este é mais uma vergonha pública do governo tucano, quando na Presidência da República privatizou a Vale do Rio Doce. Este é o resultado da ambição tucana que sucateia o patrimônio público entregando nossos recursos à iniciativa privada, e o resultado é sempre o mesmo: acidentes catastróficos, sucateamento de empresas, trabalhadores explorados, tragédias sem precedentes.

O Ministério Público do Espírito Santo abriu inquérito para apurar as consequências e impactos sociais e ambientais que o rompimento da barragem causou, mas isso não trará de volta as vidas ceifadas nesta tragédia e o prejuízo social e psicológico causado a tantas outras famílias que de um dia para o outro tiveram suas rotinas modificadas à força perdendo casa, móveis, tudo!

E o perigo não terminou: as outras barragens da Samarco, Santarém e Germano também correm risco de rompimento, segundo a própria mineradora. É muita falta de responsabilidade e descaso!

Essa é a lógica neoliberal, que passa por cima de tudo e de todos para fazer valer seus lucros sujos de sangue de pessoas que sonham com um mundo melhor, com dignidade, mas que têm seus sonhos destruídos pela onda maléfica do capital. Isso sim é o que podemos chamar de um mar de lama, literalmente.

Que a justiça seja feita, que a Samarco pague caro pelo mal que fez a todas essas pessoas, e que o poder público acorde e não se curve às mineradoras que estão lucrando sem ao menos ter um plano de emergência para casos como este.

Confiram o desabafo de forma sutil do companheiro sabespiano de Itaquera, Paulo Gonçalves Ferreira, sobre o trágico acidente:

Cadê Mariana?

Quantas Vales vale uma vida ?

Vida vale indenização ?

Vale comida ? Vale o pão ?

Que a boca mastiga

E os famintos consomem?

Mas nem só de pão vive o homem…

E nem só de minério

Neste solo agora estéreo

Onde tudo se privatiza

Criam barragem, estigmatiza

Mas barragem se rompe .

E a vida ?

A vida se interrompe

E o vilarejo, o rio, o peixe ?

Tudo vira um mar de lama

O nome do pai, do filho ,a roça de milho

Tudo em nome do capital e da trama

– Mas e Mariana … ? Mariana … ?

Ninguém sabe, ninguém viu

Quem sabe se afogou

Nas águas de um rio

Um rio que antes era doce

Hoje nada vale

No vale da sombra da morte

Da Vale que selou a sua sorte

com sua margem (de lucro) insana

Que não vale um vale de lágrimas

Que escorrem dos olhos de Mariana…

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